"A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa." George Orwell

Desde de 2014, a globo não batia record de audiência em suas novelas das 21h. Somente essa semana foram 35 pontos com a "A Força do Querer". Não é assustador? Sim, assustador, saber que no horário "nobre", tantas pessoas param em frente a televisão para acompanhar uma novela que mostra apenas o lado  "glamour" do crime. Esse é um horário que geralmente as famílias se reúnem depois de um exaustivo dia de trabalho e buscam "relaxar" em frente à televisão. Temos que entender que os telespectadores em sua maioria, não conta com outras opções de entretenimento e, embora exista uma classificação específica indicada para cada programação, as crianças acabam assistindo o mesmo que seus familiares.  
Como as emissoras de televisão são uma concessão pública sujeita ao que dispõe a nossa Constituição (http://goo.gl/LX4qUe) têm a obrigação de adequar seus programas ao bem comum e poderiam oferecer uma programação que agregasse conhecimentos, incentivando a educação e gentileza entre todos e não propagando a violência como é praxe, na busca de audiência.
A questão é que, diante de uma situação tão complicada como a que vivencia o país, certamente não precisamos de incetivos negativos, no qual a vida no crime ganha “charme”, ocultando o lado duro e triste vivido por muitas famílias e que conspiram contra  a vida de jovens que morrem em plena adolescência e juventude, vitimados por vícios ou cooptados pelo crime com as consequentes e graves repercussões na sociedade. Nossa missão é conscientizar a mídia em produzir conteúdos sem violência sensacionalista. 




Esclarecimento ao meu filho - Fonte: Jornal da Cidade

Amado filho,

Ontem, por ocasião da apresentação da novela das oito, você perguntou sobre o motivo da minha indignação, quando eu vi a ‘idolatria midiática’ aos bailes funks, onde criminosos ostentavam fuzis cantando e pulando, estando rodeados por belas jovens no ritmo das melhores músicas e bebidas fartas.
Você, com seus quatorze anos de idade, achou estranho eu não gostar daquelas cenas e tentarei explicar o porquê:

1) só quem pode usar fuzil são as forças de segurança do governo, que fazem algumas concessões às forças auxiliares. Fuzil é armamento de guerra;

2) O funk verdadeiro não pode ser associado à rodas de bandidos armados, pois é um estilo de música rico e com sua importância cultural;

3) aquelas lindas jovens exuberantes que ostentam joias e roupas da moda em corpos esculturais serão escravas dos traficantes que as presenteiam e, geralmente, não passam dos vinte anos de vida ou são presas antes disso;

4) aqueles jovens imponentes e cheios de si empunhando fuzis não chegarão aos vinte anos de vida, na maioria, ou serão presos antes disso;

5) aquelas bebidas e músicas 'maneiras' são financiadas pela ‘morte de inúmeros usuários de drogas ou vítimas da violência urbana que busca dinheiro para patrocinar aquele baile feliz que a novela mostrou’;

6) a bela atriz principal no papel de esposa de bandido começou a ficar deslumbrada pelo ‘poder paralelo’ que ostenta luxo e caras felizes. Contudo, quem associa-se ao tráfico não tem passe livre na sociedade, só no submundo;

7) milhares de pessoas morrem sem assistência médica porque o dinheiro que deveria ser alocado para a melhoria da saúde tem que ser redirecionado às forças policiais para combater aqueles bandidos felizes que a novela mostrou...

Por fim, eu poderia listar muitos outros motivos para que eu não tenha ficado contente com a ‘apologia ao crime apresentada na TV, mas disfarçada de crítica social’, porém já me basta apenas dizer-lhe no auge dos seus quatorze anos que ‘jamais a ilicitude trará benesses e que o caminho dos homens honrados dar-se-á sempre pela via dos estudos, da compaixão em comunidade e da Fé em Deus.
Filho, não se deixe enganar por essa máquina de alienação de massa, pois, no fundo, ela também financia 'aqueles bailes maneiros e regados a gente bonita e a fuzis'.

Autor: seu pai