Mulheres cegas aprendem a se maquiar sozinhas

Uma especialista, que há alguns anos ministra cursos de auto maquiagem, recebeu um novo desafio: ministrar o mesmo curso para deficientes visuais.
O pedido foi feito por Denise Braga, que não enxerga.
Andréa Andrade aceitou, mas ficou intrigada, pensando: “Como deve ser maquiar–se sem se ver?”
“Foram algumas semanas me maquiando de olhos fechados, no avião sem espelho... final catastrófico! Eu sempre saía muito borrada.  E matutava comigo: Se eu que sou profissional me borro toda, como será com elas?”, pensava Andréa.
Mas a especialista se enganou: “elas não sabiam se maquiar como eu, mas eu não sabia “ver o mundo” como elas.”
No final das contas, Andréa deixou “fluir”.
As aulas foram em Brasília.

“Eu as ensinei a se auto-maquiar e elas me ensinaram a ver o mundo melhor. Achei que ensinaria coisinhas básicas, no máximo um pozinho e um batom.  Ledo engano. Elas aprenderam quase tudo que ensino no meu curso para alunas que enxergam. Passaram base, pó, blush, batom, máscara de cílios, lápis e o mais impressionante, mais de duas cores de sombra. Tudo num clima de alto astral e bom humor... como eu ri com essa troca”, comemora a especialista.

Depois do primeiro, veio o segundo curso e Andréa percebeu a sensibilidade, feminilidade, força, alegria e garra de viver dessas mulheres.
Ela admite que as mulheres com cegueira total, tinham dificuldade em saber se a tonalidade estava adequada, simétrica.
“Mas o mais importante foi poder ajudá-las a serem mais independentes e  autossuficientes. Foi um trabalho extremamente gratificante e no final das contas fui eu quem aprendi”, disse.
A experiência deu nome ao projeto: “Beleza que se Vê”, “não me referindo necessariamente à maquiagem, mas sim à alegria estampada no rosto dessas mulheres.”

Os cursos de Andréa Andrade são dados com o apoio da ABDV- Associação Brasiliense de Deficientes Visuais -  que divulgar as aulas entre as moças e as encaminha.