Utilidade Pública


Nestes tempos modernos, constata-se que a tecnologia vem avançando freneticamente no mercado, oferecendo variados e sofisticados produtos em lindas embalagens e seduzindo os consumidores que, nem de longe desconfiam do grande perigo a que estão expostos.
Alguns desses produtos possuem resíduos altamente tóxicos e perigosos e devem ser descartados corretamente para não contaminar o meio ambiente. É o caso, por exemplo, da lâmpada fluorescente feita de vidro, poeira, fosforo e mercúrio, fortemente nocivos à saúde.
Atualmente, devido à economia de até 80% na energia elétrica em relação às incandescentes, as fluorescentes com vida útil mínima de 6.000h são utilizadas pela maioria dos brasileiros. Todavia, é necessário que sejam corretamente descartadas em postos de coleta para não causar riscos à saúde dos consumidores e ao meio ambiente.

A lei federal de Política Nacional de Resíduos Sólidos, vigente desde 2010, assegura que os fabricantes e comerciantes desse tipo de produto sejam responsáveis pela sua coleta e reciclagem a fim de evitar a contaminação tóxica do meio ambiente, favorecendo uma logística reversa. O consumidor encontra informações de onde fazer o descarte na própria embalagem do produto ou em locais de compras. 


Informações sobre “ Logística Reversa” no site do Ministério do Meio Ambiente 

Ministério do Meio Ambiente
Gestores municipais de #meioambiente! PARTICIPEM de #censo e ajudem a direcionar políticas públicas e…
MMA.GOV.BR

A vida é uma dança - "André Luiz"

Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa… nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida… dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
Não se apavore com as doenças… elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas…
Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.
Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.
E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.
Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.
Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz… Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.
O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe.
Mensagem: André Luiz (psicografia de Chico Xavier)

FONT: espiritualidadenosnegocio.com

Suicídio: há algo estranho em nós?

O PAÍS FOI SURPREENDIDO COM UM SUICÍDIO TRANSMITIDO AO VIVO PELAS MÍDIAS SOCIAIS HÁ DUAS SEMANAS. Não foi o primeiro caso em que um suicídio se tornou espetáculo e, com o avanço das tecnologias de comunicação, situações como essa podem virar rotina.
O suicídio é um problema mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. É uma das questões universais do ser humano que mata pelo menos uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos.
Sim. A maioria das pessoas se espanta na primeira vez que toma conhecimento desses índices, pois é muito mais gente do que imaginávamos; mas o lado positivo é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Muitos são portadores de doenças mentais e não têm condições de acesso a profissionais especializados; outros tantos têm uma crise e ninguém com quem contar. Com ajuda a maioria estaria viva.
Um estudo da Universidade de Campinas aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. Transformado em algo mais tangível pode-se dizer que são sete alunos em uma sala de aula, 35 passageiros em um avião e quase 12.000 torcedores num estádio da Copa do Mundo.
O Brasil ocupa o triste oitavo lugar no mundo em números absolutos de mortes por suicídio.
Existem algumas iniciativas públicas para tentar reduzir essa estatística, como o recente debate na Câmara dos Deputados para a formação de um grupo de trabalho para revisão das políticas públicas de prevenção do suicídio e a criação pelo Ministério da Saúde de um número para ligação gratuita, o“188”, com a finalidade de oferecer apoio emocional de emergência para prevenção do suicídio. Atualmente em operação exclusivamente no Rio Grande do Sul como fase piloto, o 188 deve ser expandido futuramente às demais regiões do país.
Ainda é pouco. Quando o assunto é prevenção de suicídio, ainda engatinhamos, pois o problema requer o envolvimento de todos.
Sim, isso diz respeito à toda a sociedade, e não somente às autoridades, pois é comum que se fuja ou se mude de assunto quando algum amigo nos procura para desabafar ou mesmo quando nossos filhos comentam em casa sobre um colega que tentou tirar a própria vida. Essas são oportunidades de melhorar a eficácia do círculo de relacionamento dos que precisam.
Não é fácil assumir nossos papéis de protagonistas quando vemos o assunto como um tabu. É urgente romper o silêncio em torno do suicídio, conversar sobre o assunto, aceitar o fato de que sabemos muito pouco a respeito, de que todos estamos suscetíveis e que existe prevenção. Estimular as faculdades de saúde a tratarem do tema em sala de aula, implantar programas confiáveis de desenvolvimento de habilidades sócioemocionais desde a infância, incluindo capacitar os professores a prestarem atenção aos sinais de seus alunos e oferecerem ajuda. Estimular as empresas a inserirem o tema em SIPATs e os pais a não se furtarem de conversar abertamente sobre a questão.
"Ao menos uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos"

A cada novo fato “espetacular”, surgem novos culpados. As mídias sociais e a crise econômica são os mais recentes, mas podemos realmente colocar esses dois fatores no banco dos réus?
Dizer que sim seria simplificar a questão e lavar nossas mãos diante dos fatos.
As mídias sociais digitais são ferramentas disponíveis a quase todas as pessoas e podem ser bem ou mal utilizadas. Não são elas as responsáveis pela espetacularização do fato, mas sim as pessoas que se utilizam desse meio dando um “compartilhar” em um vídeo desses e transformando o sofrimento e a perda de uma vida em show.
Utilizar as redes para divulgar um ato de suicídio, ainda mais com detalhes e imagens, é o oposto da prevenção; é esquecer a pessoa que sofre e satisfazer alguma necessidade pouco nobre. Por outro lado, utilizar as redes para identificar sinais de alerta em conhecidos e oferecer ajuda, é fazer bom uso da tecnologia. Um exemplo interessante foi o Facebook ter criado, no ano passado, um recurso pelo qual um usuário pode alertar o administrador que um conhecido seu dá sinais de ideação suicida. E, nesses casos, o Facebook alerta essa pessoa que alguém está preocupado com ela e oferece opções de ajuda, inclusive com os contatos do CVV.
Esse pode ser o início de um processo para evitar o suicídio. A ajuda emergencial pode ser obtida por meio de um atendimento do CVV, que em seus 55 anos de atuação gratuita na prevenção do suicídio entendeu que as pessoas precisam ser acolhidas e aceitas nos momentos de crise, de sensação de solidão ou forte angústia, e não criticadas, cobradas ou julgadas.
Também a crise econômica não pode ser considerada totalmente culpada. Pode-se dizer que são raríssimos os casos, para não afirmar que são inexistentes, em que a tentativa de suicídio possui uma única motivação.
A pessoa é levada ao suicídio pelo acúmulo de situações com seus sentimentos por vezes insuportáveis. É usual que haja um fator desencadeante, como se fosse a gota d’água em um copo cheio, que a leva à sensação de total impotência e desespero.
Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e “adicionar água ao copo” de muitas pessoas. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, o que leva à necessidade comum a todos nós de encontrarmos maneiras de “esvaziar o copo” antes que chegue na borda. Para isso, cada um que se importa com a vida pode ser um recurso.
Fonte: Veja.com

Mensagem do ministro do STF emociona internautas e viraliza no Facebook


Luis Roberto Barroso foi patrono de uma turma de formandos em Direito e fez o discurso durante colação de grau.Foram 47 mil curtidas em apenas dois dias.
Leia o texto na íntegra:
A vida e o Direito: breve manual de instruções
I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro. 

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro. 

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa. 

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5
Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:
1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;
2. A verdade não tem dono;
3. O modo como se fala faz toda a diferença;
4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;
5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.
Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:
(i) Fique vivo;
(ii) Fique inteiro;
(iii) Seja bom-caráter;
(iv) Seja educado; e
(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.
Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".

*m.cbn.globoradio.globo.com

MAIS OU MENOS


 Hoje em dia a cultura do “mais ou menos” está crescendo entre nós. Podemos observar isso quando perguntamos a alguém como vai você? E a pessoa responde: mais ou menos! Como vai sua esposa? Mais ou menos! Como vai seu marido? Mais ou menos! Como vai a faculdade? Mais ou menos! Como vai o trabalho? Mais ou menos!

A gente vai ficando assim porque aos poucos a gente vai se acostumando a ser mais ou menos porque a preguiça de ser mais ou menos toma conta de nós.

A coisa pior que existe nesse mundo é a gente amar mais ou menos. Por exemplo: Quem paquera mais ou menos, quem ama mais ou menos, quem casa mais ou menos, vive mais ou menos e depois vai embora quando menos você espera. 

Gente que vive mais ou menos é uma praga no mundo de hoje. E a gente precisa tomar conta pra essa praga não tomar conta do nosso coração. Porque a gente começa se jogar pra baixo e daqui a pouco tudo a gente faz na perspectiva do mais ou menos. 

Você não merece ser mais ou menos. Merece? Você nasceu pra ser mais ou menos? Não!

Então você tem que se empenhar ao máximo pra que você possa extrair no ser humano todo o potencial que você traz dentro de você, porque não você corre o risco de viver igual ao rapazinho mais ou menos que é o personagem dessa música que cantei. 

A gente até canta sorrindo. Mas se prestarmos atenção nessa letra, não podemos sorrir: “eu tenho andando tão sozinho ultimamente, que nem vejo em minha frente, nada que me dê prazer. E vejo cada vez mais longe a felicidade, vejo em minha mocidade, tanto sonho perecer.” 

É mais ou menos mesmo! Só que o autor teve uma idéia brilhante fez a estrofe mais ou menos, mas o refrão cheio de esperança. Onde dá para sorrir: “eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca de varanda, com um quintal e uma janela, só pra ver o sol nascer.”

Aí é que fica interessante a história, sabe porque? O que faz o homem, essa criatura sair da cultura mais ou menos não são grandes projetos. Nunca ninguém veio chorar para mim, dizendo: Padre, eu nunca tive um iate, minha vida não dá certo! Mas já vi muita gente vir chorar no meu ombro por questões tão menores. Padre a quanto tempo eu não recebo um abraço do meu pai... Há quanto tempo eu não consigo olhar nos olhos dele... Quanto tempo eu não sei o que é felicidade dentro de casa... Há quanto tempo eu não sei o que é ser amado de verdade, por alguém que tenha me escolhido e me elegido e me tratado como se eu fosse o único nesse mundo. Há quanto tempo. 

E aí a gente começa a perceber que a gente vai se tornando mais ou menos porque colocamos atenção nas grandes coisas e esquecemos daquilo que é o menor de todo o dia. E as vezes nós vamos perdendo o poder de perceber aqueles que estão ao nosso lado. A gente vai perdendo o poder de conquistar o que estão do nosso lado. O verbo chave de toda existência deve ser vc conquistar. Porque ou vc conquista todos os dias ou você perde.

Nas nossas relações humanas não são garantias que nós sejamos um para o outro para a vida inteira, não!

Quem disse que esse menino que saiu de sua barriga é seu filho? Ou você conquista ele todos os dias, ou daqui a pouco ele se transforma num parente seu. Ou você conquista esse irmão todos os dias, ou daqui a pouco são apenas conhecidos, nasceram da mesma barriga, mas porque perderam a oportunidade de se conquistarem, ou porque vocês foram irmãos mais ou menos, ou porque você foi um pai, uma mãe mais ou menos, a gente deixou de cuidar daquilo que era o essencial dentro da nossa casa. 

A gente deixou de perceber o que o outro estava vivendo, o que estava sentindo...

Cordas invisíveis são colocadas todos os dias nos pescoços de quem estão do nosso lado e a gente não está percebendo. E quando a gente menos imagina elas estão penduradas e sem vida. Porque faltou a ocasião de nós olharmos nos olhos e de perceber que existia uma infelicidade, que foi sendo juntada a outra e a outra e aí o sentido da vida foi embora. 

As vezes o filho está sentado do outro lado da mesa, mas é mais fácil pegar um avião e ir até Manaus e voltar do que atravessar a pequena distância da mesa. A gente não está acostumado a andar pequenas distâncias. Porque nós estamos acostumados a a viver com pressa. 

A gente deixou de olhar as pessoas que amamos com calma, a gente olha com pressa o tempo todo. E quem olha com pressa não percebe a corda invisível que está sendo colocada no pescoço de quem a gente ama e depois quando eles morrem, quando eles vão embora de maneira muito trágica, a gente se pergunta: 

Como é que eu não percebi antes? Com é que eu não fiz algo por ele?

Porque você estava olhando com pressa demais. Você estava indo atrás de grandes coisas. Você estava investindo seu dinheiro e seu tempo em construção de casas, achando que um lar, é uma junção de paredes onde as pessoas se escondem ali dentro...

Não! Casa antes de ser parede, é construção humana. Você pode ser o homem mais bem sucedido na história da economia, mas se você não conseguir colocar um sorriso nos filhos que você gera, você é um incompetente!

E não adianta você se vangloriar da conta bancária que você tem, se na vida de seus filhos você não deixou uma riqueza maior que dinheiro não pode comprar e que a vida não pode nos fazer esquecer.

E geralmente pessoas que são ricas de afeto, pessoas que não foram economizadas na capacidade de amar dentro de casa, dificilmente penduram-se numa corda. Muitas vezes um filho que se mata, é um atestado da nossa incapacidade de sermos amigos, um atestado na nossa incapacidade de sermos pai e mãe, da incapacidade de sermos irmãos.

Por isso, olhe bem para quem está do seu lado. Ame como se hoje fosse o último dia da sua vida. Porque essa é a maior responsabilidade que nós temos.

Sua casa será mais feliz, a medida em que você tiver tempo para olhar aqueles que você ama. E se você perceber que está sendo colocada cordas invisíveis, ajude a retirar, antes que essa corda, vire de verdade e não se tenha mais tempo de fazer nada.

Pe. Fábio de Melo.